Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Sab | 08.05.21

Saber os limites do razoável

Nuvem

Uma separação nunca é totalmente pacífica. Há sempre um que sai mais magoado, mais triste, mesmo que até seja de comum acordo seguir caminhos separados.

Acredito até que tem de haver um período de luto. E não, luto não é uma palavra exagerada. Como ainda outro dia lia, uma separação é o fim de um projeto de vida. E, nunca é bonito. Por isso, acredito também que nesse período de luto, as duas pessoas não queiram ser amigas. Mas não é por mal, é porque precisam. Precisam de se afastar, de "deixar a poeira assentar", para que depois possam ter uma relação civilizada e, até serem amigos.

183744576_319902496321796_1335718362447185900_n.jp

 

Agora..quando há filhos.. quando há filhos acredito que esse período de luto tem de ser um bocadinho passado por cima porque, acima de tudo, uma separação nunca deveria magoar (ainda mais) os filhos. Ver um pai ou mãe vir para as redes sociais mandar boquinhas foleiras ou "lavar roupa suja" é, para mim, mais demonstrador do caráter desse do que do outro que está a ser acusado. As crianças, mesmo que pequenos, vivem num mundo em que uma vez na internet, estará para sempre. E não é bonito vermos um pai ou mãe falar mal um do outro, publicamente, para quem quiser ler. 

 

Não faz sentido, não acrescenta nada, não muda o outro. Só traz mágoa. Só traz raiva. Só traz coisas menos boas.

Os filhos não podem ser usados como arma de arremesso. Nunca. Porque, se antes da separação gostámos daquela pessoa, temos de lhe ter respeito. Temos de respeitar a mãe ou o pai dos nossos filhos. Porque o serão sempre.

 

E estar a começar um para sempre separados a mal... é meio caminho andado para não conseguirmos voltar a ser felizes e, pior, magoar os nossos filhos. E, convenhamos, nenhum pai deveria querer magoar os filhos.

Sex | 07.05.21

"Foi o que ouvi"

Desafio dos Pássaros 3.0

Nuvem

21542387_toGhe.png

 

Disseram-me muitas vezes que a minha vida mudaria. 

Que nada seria como antes. Ouvi muitas vezes a frase "aproveita agora, que depois a vida muda".

 

Ouvi que nunca mais dormiria uma noite descansada. Ouvi que iria acordar até com o som do respirar. Ouvi que estaria muito tempo sem retomar a vida social pois não teria cabeça para ouvir ou ver ninguém.

 

Tudo isto ouvi. Durante longos nove meses...

 

Mas nunca ninguém me disse que a falta de dormir seria compensada com o primeiro sorriso da manhã. Que nunca mais dormiria uma noite descansada porque o amor que nos arrebata é tão forte que, muitas vezes, se transforma em medo.

Não ouvi que a vida mudaria sim. Que haveria dias difíceis mas que, os dias seriam tão melhores do que antes. Que a vida seria diferente, mas tão melhor.

Não ouvi que a mínima gracinha seria uma conquista do tamanho de uma Champions League. Não ouvi que nos adaptamos e que a vida social é retomada sim, desta vez com mais um elemento. Que tudo o que realmente importa pode ser feito com ele...e o que não for possível, então também não interessa.

Não me disseram que nos dias mais difíceis iria sentir-me perdida...e que seria no seu sorriso ou no rosto babado do pai a olhar para ele que iria buscar uma força que nem sabia ter.

 

A maternidade não é igual para ninguém. Podemos partilhar vivências, opiniões, ideias. Mas depois, cada uma de nós, vive-a de uma forma mais ou menos intensa, com mais ou menos idealismos e pragmatismo, mas com tanto amor que, no final de contas, seremos sempre as melhores mães para os nosso filhos.

 

Ninguém sabe tudo. Ninguém sabe nada. Vamos vivendo e aprendendo. Vamos ouvindo e sabendo que, o que funciona com uns, pode não funcionar com o nosso. O que era verdade ontem, pode não o ser hoje.

 

Não interessa se foi o que ouvimos. Interessa bem mais, sempre, o que sentimos.

Qua | 05.05.21

Ver e aprender!...

Nuvem

conta-me.png

Não sei se têm o costume de ver este tipo de programas, mas eu, com esta minha veia jornalística por aqui escondida, sempre adorei ver entrevistas de vida. Acho sempre que temos alguma coisa a aprender e retirar.

Este fim-de-semana, vi a entrevista de Manuel Luís Goucha a Hélder Reis e tornou-se, para mim, numa das entrevistas mais bonitas que já vi nestes formatos. Era uma conversa entre amigos, como já se sabia, e isso tornou-a ainda mais especial. Porque vermos alguém ter a capacidade de pedir desculpas de forma tão genuína por ter falhado quando um amigo mais precisou..não é para todos.

Mas ser amigo também é isso..saber perdoar quando o outro saber o quão mal esteve. Entrevistar amigos é mais difícil do que desconhecidos, pelo medo do que se possa perguntar, pelo saber dos pontos frágeis, do que certas perguntas podem causar.

 

Esta entrevista é uma lição de humildade, respeito, generosidade e amor. Porque a amizade, quando verdadeira, é um amor em estado puro.

 

Vejam. De verdade, vejam.

Seg | 03.05.21

Muitos parabéns, meu amor!

Nuvem

181483520_542055346785365_5114507458511497784_n.jp

A mãe. A que melhor me conhece. A mais incrível faz anos hoje.

55 de uma vida em nada fácil, nem sempre feliz, mas sempre vivida com honestidade e muito trabalho.

A minha mãe é do caraças. Mesmo. Luta todos os dias como se não houvesse amanhã. Quando, nos últimos meses, lhe via a tristeza de quem queria tanto trabalhar e não podia, mas que NUNCA desistiu e olhou para a vida como uma oportunidade de usar o tempo para projetos antigos que tinha, fiquei ainda com uma maior certeza de que é o maior exemplo de força e resiliência que eu conheço.

 

É a melhor avó do mundo. Tem pelo Francisco um amor que nem sei se ela mesmo sabe a dimensão. É um amor multiplicado todos os dias. Mas não estava à espera de outra coisa. Tive uma infância incrível, muito por "culpa" dela. Nunca houve dias mais tristes, mesmo quando o pai não estava fisicamente connosco. Tentou sempre passar-me os valores essenciais e que tanto preza: honestidade, educação, respeito. É talvez a pessoa mais educada que conheço. Não tolera de forma nenhuma falta de respeito. Não há para ela diferenças entre ricos e pobres, brancos ou pretos. É toda ela amor para os que gosta e respeita. É também das mais generosas. Das que tira a própria camisola se um amigo precisar de a vestir. Faz tudo pela família, sem olhar ao esforço que isso possa implicar para ela.

Sim, também tem defeitos. É, como todos os Touros, extremamente teimosa. Muito difícil de contrariar. É muito difícil debater com ela, tem sempre razão... Mas, é tão perfeita nas suas imperfeições que essas pequenas imperfeições apenas servem para lhe dar ainda mais valor.

 

É a mãe dos passeios mas também do rigor e da exigência. A mãe que sempre me quis mostrar o mundo da forma como podia e fez tudo por isso. A mãe que sabe dar a mão sempre que ainda nem estou a cair. Mas a mãe que em vez do "eu bem te avisei", diz "oh filha, para tudo na vida há solução".

 

Eu disse-vos, ela é do caraças! E é minha. Só minha! E eu amo-a.