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Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Qui | 21.02.19

À Conversa nas Nuvens - Marta Antunes

Nuvem

Realizar sonhos de outros é, talvez, dos trabalhos mais nobres e prazerosos do mundo. Quando os outros são crianças, a retribuição é ainda maior.

Marta Antunes é a Coordenadora de projetos da Make-A-Wish Portugal. E hoje, vem falar-nos sobre este M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O trabalho.

 

Olá Marta. Para quem não conhece, em que consiste a Make-A-Wish?

A Make-A-Wish tem por missão a realização de desejos a crianças e jovens, entre os 3 e os 18 anos, em todo o território nacional, com doenças graves, progressivas, degenerativas ou malignas, proporcionando-lhes um momento de força, alegria e esperança.

 

Trabalhar na Make-A-Wish surgiu naturalmente ou foi algo que a Marta queria muito?

Surgiu naturalmente mas sempre soube que gostava de trabalhar ou, pelo menos, imaginava o meu futuro profissional nesta área das ONG, uma ligação próxima ao outro. 

 

Hoje em dia, já é mais fácil conseguir parceiros para ajudar na realização de desejos ou a crise em Portugal continua a ser um entrave para que as pessoas ajudem?

De uma maneira geral, acredito que as pessoas são solidárias, gostam de ajudar e de sentir este propósito, seja num contexto mais pessoal ou corporativo. Naturalmente que a crise económica sentida principalmente a partir de 2010 afetou os orçamentos e gestão de recursos, mas conseguimos encontrar formas de ter apoio e não deixar nenhum desejo por realizar por falta de financiamento. Sentimos igualmente que as estratégias de responsabilidade social dentro das empresas estão a ser reforçadas e há uma maior permeabilidade e abertura para propostas concretas. Salientaria o facto de, na Make-A-Wish, existe uma preocupação grande de demonstrar o impacto e as pessoas saberem exatamente para onde foi canalizado o donativo.

 

A nível emocional, é fácil para si perceber que há tantas crianças doentes?

É difícil gerir internamente essa questão, mas acreditamos na evolução da medicina e no papel dos profissionais de saúde. No meu caso em particular, e imbuindo do próprio ADN da Make-A-Wish, o nosso foco e que também funciona num plano mais individual – da pessoa que está por detrás daquela função/profissão – sabermos que, naquele momento/durante aquele período, conseguimos proporcionar um impacto positivo, uma conversa diferente ao final do dia, um desfoque do que está a ser vivido/sentido para se pensar e acreditar que algo de bom, feliz vai acontecer, reforça a nossa própria esperança e foco para darmos o nosso melhor.

 

Houve algum desejo em particular que a tenha tocado mais?

Para além de ser o meu emprego, também sou voluntária da Make-A-Wish e continuo a realizar desejos. Por isso, e sabendo que todos são especiais, terei que destacar o primeiro desejo que realizei do William e Wilson (gémeos) que gostavam de conhecer “a casa dos animais” – o Jardim Zoológico de Lisboa, porque todos os dias quando iam de autocarro para o Hospital passavam pela “casa dos animais”.

 

Têm feito cada vez mais ações de angariação de fundos e com uma visibilidade crescente (Cycle-a-Wish, campanha de estrelas de Natal)… há apoios suficientes para todos os desejos que vos chegam?

Sim, felizmente, até agora temos conseguido “apadrinhar” todos os desejos que chegam quer através das parcerias empresariais (Make-A-Wish at Work), Programa Make-A-Wish Vai À Escola, campanha de Natal e IRS Solidário, Eventos, …  Mas estamos sempre a precisar  Existe uma média de 150 crianças que aguardam a realização do seu desejo.

 

Para quem também não sabe, vocês têm também uma linha de lembranças personalizadas para casamentos, batizados ou outras festas que podemos oferecer aos convidados e ajudar ao mesmo tempo a realizar desejos?

Sim! Há cerca de 2 anos começámos a reagir aos pedidos das pessoas que se iam casar e gostavam de associar um cariz solidário a este dia, fosse através das lembranças para os convidados ou, ao invés de dar lembranças fazer um donativo direto à instituição. A partir daí, e também pelo passa-a-palavra e o número de pessoas interessadas ter vindo a aumentar decidimos criar algumas propostas, nomeadamente marcadores de livro e pulseiras coloridas, bem como cartões de mesa. Com o valor destes donativos, “canalizamos” para a realização de desejos. Para além de casamentos, também nos têm procurado para batizados e aniversários.

 

Ter este emprego, faz com que tenha mais medo ou mais esperança?

Sem dúvida, esperança!

 

Por fim, obrigado pelo vosso trabalho. Afinal, todos podemos precisar!

Obrigada eu! E obrigada a ti, Lara e a todos os voluntários que tornam possível a Make-A-Wish existir e ser conhecida.

 

Marta Antunes.jpg

(Foto cedida por Marta Antunes)

Já falei no blog inúmeras vezes sobre a Make-A-Wish. Sou voluntária desde que fui estudar para Lisboa e ajudo sempre que posso e como posso.

Por isso achei tão importante esta conversa com a Marta. Porque há quem faça disto o seu trabalho. Há quem trabalhe para ver crianças a realizar sonhos...acredito não haver melhor no mundo.

Obrigada à Marta e a toda a equipa. Estas pessoas trabalham para que todas estas crianças tenham, pelo menos, umas horas de maior felicidade. Seja numa viagem, numa atividade, ou num simples presente... O mundo é melhor por termos a sorte de vocês existirem!