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Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Sex | 15.11.19

Desafio de escrita dos pássaros #10

Já chegamos? Já chegamos?

Nuvem

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Faltava pouco. Muito pouco.

Estavam em viagem há mais de dez horas. Filipe, o marido, vinha agora a dormir enquanto Laura conduzia mais uns quilómetros. O dia estava a amanhecer. Tinham saído da Suíça depois de jantar, para ser mais fácil de fazer a viagem com os miúdos.

Estavam a pouco mais de 50 quilómetros de casa. A sua verdadeira casa. Dizem que a nossa casa é onde está o nosso coração, e o deles pertenceria para sempre ali.

Tinham emigrado há mais de 15 anos. Mas esta seria a última viagem antes do regresso definitivo. As saudades dos pais e de toda a família, a saudade das pessoas, da comida, dos costumes…por muito que até vivessem bem lá, eram emigrantes. Não era ali a casa deles. Não era ali que pertenciam. Não era ali que se sentiam verdadeiramente felizes. E tinham sido os miúdos, Constança e Francisco, que tinham falado aos pais que queriam viver em Portugal. Que queriam estar sempre com os avós e com os primos , porque era isso que mais gostavam… E isso deixara-os a pensar. E perceberam que eles tinham razão...

- Já chegámos? Já chegámos mamã? - Francisco acabara de acordar. Apesar de ser o mais pequeno do clã, era o que mais expressava as saudades e a vontade de vir.

- Não Francisco… mas já estamos muito muito perto!

- Mana, mana! Acorda! Estamos a chegar! - disse Francisco ao fazer umas festinhas na cara da irmã.

- Francisco deixa a tua irmã dormir!

- Oh mãe mas ela vai ficar feliz quando perceber que estamos finalmente a chegar!!

 

O Francisco tinha razão. Ansiavam todo o ano pelas férias para voltar um mês que fosse a casa. Mas era um mês que passava tão rápido que ficavam sempre com a sensação de que tinha ficado tanto por dizer, tanto por fazer.

 

Felizmente, isso estava prestes a mudar. Já tinham comprado uma casa ali, na sua cidade. Já tinham também conseguido emprego. Voltavam hoje para organizar as últimas coisas e depois só iriam buscar e organizar as mudanças.

Agora, voltavam para onde eram felizes. E não havia dinheiro nenhum no mundo que pagasse o brilho no olhar que todos eles, mesmo dos que ainda dormiam. Porque quando estamos felizes, nunca conseguimos esconder!

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