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Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Seg | 28.01.19

Do medo...

Nuvem

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Acho que, pensando racionalmente, todos sabíamos que o menino de Málaga, Julen, não tinha hipóteses de estar vivo. Pela altura da queda, pela idade dele, pelos dias intermináveis que foram passando sem que se conseguisse chegar lá.

Mas, no fundo, quisemos sempre acreditar num milagre. Porque admitir esse impossível, dá-nos medo. Muito medo. Medo que fôssemos nós a estar na situação desesperante, horrível, indescritível, daqueles pais. Que aquele fosse o nosso filho, neto, sobrinho ou simplesmente amigo... Acho que acabamos por ficar um pouco mais maníacos a cada história destas que vem a público.

O medo não se pode apoderar de nós, é certo. Não podemos, e não devemos, pôr os nossos meninos numa redoma em que não possam sair de casa com medo do que lhes possa acontecer... mas o medo é grande. E quase que nos estrafega o coração.

Confesso que também eu, inconscientemente, tive esperança. E, quando percebi que já o tinham encontrado, como expetável, morto, chorei. E não dormi o resto da noite. Porque aquele anjinho só estava a brincar. Porque aqueles pais já tinham tido a sua quota-parte de sofrimento quando perderam o filho mais velho.

Porque se fosse eu, não sei se conseguiria voltar a acordar. Nem toda a força do mundo poderá ajudar a atenuar a dor daqueles pais. Pela segunda vez em ano e meio chorar a morte de um filho...não é humano.

Abracei o meu menino com tamanha força assim que ele acordou, que resmungou mas senti-lo ali, comigo, deixou que o medo, por agora, se voltasse a atenuar...

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