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Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Sab | 14.03.20

Estamos a partir de hoje em casa

Nuvem

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Sendo profissional de saúde, ainda não me tinha manifestado aqui sobre esta Pandemia. Honestamente, porque não sabia o que dizer mais do que tudo o que já se lia e dizia nas redes sociais e por essa Internet fora.

Sempre levei a sério este vírus mas, e sendo o mais honesta possível, só percebi a sua real gravidade quando na China começou a morrer tanta gente. Fui tentando ser positiva e pensar que pela Europa não iríamos passar pelo mesmo...e depois começou o flagelo em Itália. E eu, que nessa altura andava em buscas e pesquisas por destinos para as nossas férias de verão, parei por ali. Percebi que não valia apena estar a fazer planos a longo prazo porque ninguém sabia o que estava para vir.

No início desta semana comecei realmente a ficar ainda mais assustada e a temer pelos meus. Pelo pânico que via todos os dias no hospital onde trabalho, pela ansiedade que todas as pessoas demonstravam...

Fecharem as escolas foi uma medida difícil mas que acho muito acertada. E, por muito dinheiro que custe a todos (inclusive aos pais que não ganham o ordenado por inteiro), não há dinheiro que pague a saúde. E, não sendo eu de uma profissão que esteja na linha da frente a este combate (aliás, temos muito pouco trabalho neste momento pelo cancelamento das cirurgias programadas e de muitas consultas), ficarei em casa com o Piolho. O risco do que lhe poderia trazer é muito grande e não sou "precisa" lá. Não posso fazer muito para ajudar...então ajudarei ficando fechada em casa com ele, que também não será a tarefa mais fácil do mundo. O M. ainda está a trabalhar mas é uma questão de dias até começar o teletrabalho. Por isso, tentaremos ao maximo estar os três resguardados, a cuidar uns dos outros. Porque a família é o bem mais precioso que temos.

E não, não sinto que esteja de férias. Sinto que estou a cumprir um dever enquanto cidadã. Sinto que, estar fechada em casa um mês é quase um pesadelo...mas um pesadelo necessário para que possamos voltar a sonhar com coisas boas. Estar longe dos meus avós e dos meus pais será o pior...mas é um mal necessário e que farei questão de cumprir ao máximo.

 

Aos pais dos adolescentes que ficam em casa e acham que podem ir para a praia ou cafés com amigos: façam-lhe ver esta realidade. Proíbam-nos se assim for preciso. Como sempre me ensinou a minha mãe, "mais vale que chorem eles, do que nós".

 

Façamos todos este esforço. Deixemos os centros comerciais, os cafés ou os espaços mais fechados. Temos de perceber que, se cumprirmos tudo isto, teremos o retso da vida pela frente para irmos a esses sítios. E o que é um mês longe de tudo, comparado com os nossos anos de vida?

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