Não sei como vai ser o Natal...

Não sei. Não sabe nenhum de nós. As medidas serão anunciadas daqui a uns dias mas, honestamente, já nem sei se fará diferença saber.
A verdade é que não será igual. A verdade é que muitos de nós perdemos pessoas durante este ano que, por si só já seria difícil, mas devido a todos os constrangimentos nesse processo de luto, piorou esta falta. Nada será igual.
A verdade é que muitos de nós não abraçamos os que mais amamos há muitos dias, semanas. Meses. Estou há quase nove meses sem abraçar a minha avó, minha querida avó. Estou há quase nove meses com o medo constante de trazer para casa aquilo de que todos querem fugir. Estou há nove meses com medo que o telefone toque da escola do Francisco.
Passaram já muitas horas de angústia. Horas, dias, semanas, meses. Fará um ano daqui a três meses. E a verdade é que foi o pior ano das vidas de muitos de nós. Há muita gente na iminência de não ter o que comer, de não ter dinheiro para viver.
O Natal costuma ser uma época de felicidade, de muita alegria. Este ano não será. E não é só porque estaremos reduzidos a seis ou dez pessoas, ou quantas serão, em cada casa. É porque a vida de todos mudou. É porque muitos de nós não terão dinheiro para comprar bacalhau ou cabrito.
O que sei é que estou farta. Estamos todos. O que eu sei é que nada será como nos anos anteriores... E sim. Dói. Dói muito saber que vou passar um natal em que não poderei abraçar a minha avó, mesmo que me seja permitido vê-la.
Por isso, pensem bem antes de tomarem atitudes inconscientes que vos ponham em perigo. A vós e a todos nós. Porque...quero muito voltar a ter um Natal com alegria.
