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Nas Nuvens de Um Terceiro Andar

Ter | 21.09.21

O poder (de) fazer nada

Nuvem

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O querer não fazer nada é um poder que cada vez mais não nos assiste. Hoje, numa sociedade de correria e em que o tempo de descanso é tão pouco, dizermos a alguém que vamos passar um sábado ou um domingo sem fazer nada é quase uma calamidade. Um erro crasso. Porque "temos de aproveitar quando está bom tempo, temos de aproveitar a vida e não deixá-la passar..." enfim, um sem número de argumentos completamente válidos, mas não reais.

 

Há dias em que temos mesmo de parar. Que o nosso sistema tem de entrar em pausa para que depois, quando reiniciar, esteja em pleno. 

Tenho necessidade de dias assim. De dias em casa, simplesmente sem nada para fazer. Sem a preocupação de ter de me vestir para sair. O poder ficar em casa é para mim, cada vez mais, uma regalia a que tenho pouco acesso. E confesso, a família é a principal culpada disso. Porque quase que nos obrigam ter que visitar toda a gente todas as semanas. Porque para eles é uma obrigação que os domingos sejam passados em família. Mas caramba... detesto obrigações. Aliás, obrigações já nós temos durante toda a semana de trabalho. Ao fim-de-semana gostava de ter poder de escolha.

E a verdade é que obrigarem-me, impingirem-me algo que eu não quero é das piores coisas que me podem fazer. Tira-me do sério e acaba por ter o efeito contrário. Afasta-me dessas pessoas. Porque não respeitam o meu espaço, as minhas necessidades. É de um egoísmo tremendo obrigarmos alguém a estar connosco, fazer quase uma chantagem psicológica... e é só nestes momentos que penso que, por vezes, seria mais fácil se não vivesse aqui.

 

Temos de aprender cada vez mais a respeitar o espaço do outro. Seja família ou amigos, não é por estarmos juntos todos os dias que amamos mais do que se só nos virmos uma vez por mês.

O amor não tem a a haver com a quantidade de vezes que as pessoas estão juntas, mas sim com a qualidade desse tempo. Com o respeito que nutrimos. Com o saber que o outro também tem vontade própria. E, há dias, em que simplesmente não apetece nada.

 

E está tudo bem.

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